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sábado, 25 de junho de 2011

PROJETO PEDAGÓGICO PARA A IGREJA - Parte 6


Educação integral
 
A partir da missão integral da igreja e da antropologia bíblica será necessário considerar o ser humano de modo integral, muito mais abrangente, portanto, que os modelos reducionistas adotados pela abordagem salvacionista e pragmática. Se houver uma preocupação que demonstre que o cristão deverá apenas se ocupar com a pregação do evangelho, com a salvação alma, acaba deixando a formação cristã em direção a maturidade num plano inferior e, consequentemente o ensino como atividade de pequena importância.


A educação integral elaborada a partir da antropologia bíblica indica a construção de um processo educacional que considere o ser humano como um todo, não apenas em seu aspecto cognitivo (SABER), que poderá apenas privilegiar a memória, mas também será necessário dar-lhe oportunidade para construir o conhecimento refletindo sobre ele (REFLETIR). Além disso, será necessário considerar que o ser humano convertido ao evangelho é desafiado a desenvolver e utilizar os seus dons, por isso precisará ser capacitado a servir no reino de Deus (FAZER). A vida cristã afeta todo o ser, portanto a vida mental e emocional deverá ser transformada e aperfeiçoada pela efetivação do evangelho em sua vida (SENTIR). Desde o Éden o ser humano foi criado para o relacionamento que também precisará ser atendido no desenvolvimento da vida cristã (CONVIVER / SERVIR) e, desde que o Evangelho deve promover uma radical transformação na vida, será necessário que o cristão seja atendido no aperfeiçoamento de seu caráter (SER). Estes verbos de ação pedagógica – SABER/REFLETIR, FAZER,SENTIR, CONVIVER/SERVIR e SER – muito mais do que tópicos curriculares deverão ser implementados transversalmente em toda educação religiosa na igreja, o que significa que isso ultrapassará o âmbito da sala de aula e eclesiástico.

Princípios teológicos da educação

Dentro deste capítulo torna-se necessário alistar princípios teológicos que se constituem em norteadores da visão cristã de educação. Em resumos apresentamos os seguintes princípios:

1. Fonte da verdade: a fonte da verdade para o cristão está em Deus e em sua Palavra. A verdade científica produzida pelas pesquisas da Ciência se refere aos fenômenos da natureza, aos fatos da vida. Quando as pesquisas científicas tratam da cultura, dos relacionamentos humanos e mesmo dos fatos propriamente chamados científicos que se referem aos valores da vida, a Palavra de Deus deve ser o critério superior. A Palavra de Deus é nossa fonte de verdade no âmbito de nossa fé mas, também, de nossa vida prática cotidiana.


2. Deus  

– Deus é um ser pessoal, infinito, eterno, soberano, criador, mantenedor, juiz e redentor do Universo e o que nele contém;
– Deus coexiste em três pessoas, numa triunidade – Pai, Filho e Espírito Santo. Cada pessoa da Trindade, dentro da economia divina, tem um papel fundamental no plano global divino para o Universo.
– Deus não é limitado por nada e tudo pode fazer, não tendo criado o mal que surgiu como opção da rebelião de Satanás e do ser humano que, por isso, se afastaram da comunhão e convívio com Deus e de sua vontade.
– Deus é tanto transcendente quanto imanente, exercendo a sua vontade, seja diretiva, seja permissiva, no Universo.

4. O mundo foi criado por Deus do nada (creatio ex-nihillo), portanto, a Ele pertence e por Ele é mantido.


5. O ser humano: 


Sua finalidade: o ser humano foi criado por Deus, à sua semelhança, para viver para a sua glória, adorando-o, servindo-o.
Sua natureza: o ser humano é individual, mas foi criado para a convivência social. Para a Bíblia, o ser humano deve ser considerado integralmente. É dotado de uma parte material (seu corpo) e da parte imaterial e, neste sentido, é espiritual, mas, também, portador de uma natureza psicológica e mental. Portanto, o ser humano é de natureza ética e é, por Deus, considerado responsável.
– Seu relacionamento com o mundo criado: o ser humano foi criado por Deus para viver em harmonia e numa relação de estabilidade em nível vertical com Deus, em nível horizontal com o seu próximo, homem ou mulher, e com a natureza que Deus lhe deu para gerir.

6. A queda e restauração do ser humano


A queda: com a entrada do pecado no mundo a ordem da criação foi pervertida, os valores da vida invertidos e o ser humano foi afastado da comunhão com Deus deixando de viver para os fins para os quais fora criado. O ser humano e a própria natureza criada foram afetados, necessitando de restauração.
A restauração: com a morte de Jesus na cruz do Calvário e a sua ressurreição, Deus providenciou a restauração integral do ser humano decaído.
A salvação: a restauração do ser humano decaído é fruto da graça de Deus e destinada a todos os que crerem em Jesus Cristo, seu Filho, e se arrependerem de sua condição de perdido.


7. A vida restaurada


7.1 – A vida da pessoa restaurada – Restauração das finalidades da criação: uma vez restaurada a vida de uma
pessoa pela salvação por meio de Jesus Cristo, a sua condição anterior à queda é restaurada e passa a ter como alvo viver para a glória de Deus, desenvolvendo uma vida integral e de incondicional dedicação a Deus e ao seu reino.
Em busca da maturidade: após a conversão, começa na pessoa um processo de desenvolvimento de sua vida em direção à maturidade cristã, a partir do modelo de
vida desenvolvido por Jesus.
O evangelho todo para o homem todo e para todo homem: o evangelho deve ser compreendido e aceito em toda a sua extensão e implicações. Deve ser destinado para a restauração do homem todo, isto é, dele em seus mais variados aspectos representado especialmente pelos verbos SER, SENTIR, CONVIVER, FAZER, SABER/REFLETIR. Mas, também, o evangelho tem o seu caráter universal, pois é dirigido a todos os homens, sem distinção.


7.2 – A igreja como comunidade dos salvos
Nascemos para o relacionamento: no momento da criação Deus deixou claro que não era boa a solidão para o ser humano (Gn 2.18). Com a queda, iniciou-se um grave distúrbio no relacionamento humano em todos os seus variados sentidos. A restauração providenciada por Deus tem, entre outros motivos, a finalidade de restaurar as relações humanas.

A igreja: o instrumento que Deus providenciou para o desenvolvimento dos relacionamentos humanos é a igreja, que não é um templo, mas os crentes salvos por Jesus Cristo.
A igreja local: como batistas, entendemos que a igreja local é a célula básica da comunidade cristã, isto é, a igreja local é completa em si mesma, não havendo relação piramidal ou de hierarquia entre as igrejas batistas locais, mas uma relação
de fraternidade e de cooperatividade.

A missão da igreja: a missão primordial da igreja é promover uma vida cristã que glorifique a Deus e lhe seja leal. Para isso, a igreja deve, também, desenvolver a sua
missão dirigida ao mundo seja por meio da evangelização, do trabalho missionário e do atendimento social tanto em busca do pecador perdido, como sendo sal da terra e luz do mundo. Como a pessoa que é salva precisa partir em busca de maturidade, nos seus mais variados sentidos – doutrinária, relacional, espiritual etc., a igreja tem, também, como missão dirigida para si mesma, promover o desenvolvimento da vida cristã de modo que o salvo possa crescer na fé e na sua vida pessoal.



7.3 – O cristão e a comunidade

Como a missão da igreja é ampla – dirigida a Deus, ao mundo e a si mesma – requer uma diversidade de serviços para que seja cumprida.
Para que a diversidade da missão da igreja possa ser cumprida, Deus deu aos crentes variados dons de serviço que precisam ser descobertos, aperfeiçoados e desenvolvidos.



8. O papel do cristão e da igreja no mundo

8.1 - O papel do cristão


– O cristão deve ter Jesus Cristo como seu modelo de vida, sendo sua leal testemunha para que, com seu exemplo de vida e testemunho pessoal, as pessoas tenham a oportunidade de conhecer o evangelho e aceitar Cristo como seu Senhor e Salvador.
– Além disso, o cristão deve ser útil na sociedade em que vive, seja como profissional, seja como cidadão. Deve exercer a cidadania com responsabilidade e contribuir ativa e positivamente para o desenvolvimento histórico do mundo em vez de ser um mero consumidor da realidade.


8.2 – O papel da igreja


– Como instrumento de Deus para ser um solo fértil do desenvolvimento da vida restaurada, a igreja deve promover um ambiente saudável de modo a ser exemplo para o mundo na busca de restauração de vidas em seu sentido mais completo.
– Como comunidade dos salvos, a igreja deve desenvolver influência positiva no tratamento das questões e dilemas humanos.
– Como portadora da Palavra da vida, a igreja deve promover a vida e, por meio de seus membros, desenvolver ações biblicamente fundamentadas que objetivem trazer ao mundo melhores condições de vida.


9. O final dos tempos: com esperança aguardamos o momento da volta de Cristo, da restauração completa e final de todas as coisas.



Aplicação dos fundamentos teológicos à educação religiosa

O estudo da Bíblia na busca do preenchimento dos objetivos educacionais essenciais ou básicos torna-se fundamental, uma vez que ela é o nosso livro texto. Um acurado estudo das virtudes cristãs como, por exemplo: as bem-aventuranças (Mt 5.1-12); fruto do espírito (Gl 5.22,23); matéria-prima do pensamento (Fp 4.8) indicará o perfil que aspiramos formar em nossos alunos: humildes de espírito, sensíveis (os que choram), mansos, têm fome e sede de justiça (retidão), misericordiosos, limpos de coração, pacificadores, corajosos a ponto de serem perseguidos por causa da justiça, amorosos, alegres, benignos, bondosos, fiéis, autocontrolados, amantes da verdade, respeitáveis, justos, possuidores de boa fama, virtuosos, louvadores, etc. Enfim, a educação deverá, não apenas dar INformação ao aluno sobre a Bíblia, mas oferecer FORmação de seu caráter e de sua vida na igreja e no mundo, bem como promover uma TRANSformação do que precisa ser redimido pelo evangelho em sua vida total.



Assim, é preciso considerar que:

1. A educação religiosa faz parte da missão integral da igreja e tem como finalidade principal, entre outras, capacitar plenamente o cristão, inclusive para conhecer a sua fé e ter uma vida consagrada e leal a Deus, além de capacitá-lo em seus dons para o serviço no reino de Deus, na igreja e no mundo, por meio do discipulado.


2. A fonte da verdade está em Deus, e o conteúdo que se constitui pesquisa de base para a educação religiosa é a Palavra de Deus.


3. A educação religiosa se realiza num processo multilogal, isto é, se realiza num processo comunicacional que tem seu ponto de partida – Deus e sua Palavra – e se concretiza relacionalmente entre o professor e o aluno.


4. A educação religiosa deve considerar o aluno como um sujeito histórico integral e não apenas como mão-de-obra para a igreja. Isto implica considerar o aluno em seus mais variados aspectos e níveis. Assim, na elaboração do sistema educacional a ser desenvolvido na igreja, será preciso começar pela formação e transformação do caráter do aluno (SER) mas, também, considerar a sua afetividade (SENTIR), a sua vida relacional dentro e fora da igreja (CONVIVER), a sua compreensão da fé e da vida (SABER), a sua capacidade para refletir sobre o ensino recebido (REFLETIR). Como o aluno recebe dons de serviço para o reino de Deus, é também preciso considerar sua capacitação continuada (FAZER).


5. Sendo integral, a educação religiosa deverá considerar a igreja local em sua missão integral, que tem suas características peculiares especialmente por estar inserida num ambiente próprio, tendo em seu entorno um papel fundamental. Neste sentido, a educação religiosa precisa considerar os objetivos educacionais contextuais que vão representar as demandas específicas de cada igreja local. Por isto, a educação religiosa precisa ser contextualizada em seu projeto funcional mas, também, precisa ter como ponto de partida os valores e objetivos cristãos aplicáveis a qualquer época e cultura, pois refletem os valores permanentes do reino de Deus.



batistas.com/edu_religiosa/PlanoDiretor_Versao 3.1.pdf

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